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São Paulo. No estande do Pólo Calçadista de São João
Batista (Santa Catarina), uma empresa recém-criada, a Aîapé,
vendeu mais de 50 mil pares de sandálias e mais de US$ 120 mil
nos quatro dias de feira para compradores do Paraguai, Suriname,
Portugal e Kuait.
O Arranjo Produtivo Local de São João Batista possui atualmente
150 empresas e tem o apoio do Sebrae no Estado, do Sindicato das
Indústrias de Calçados de São João Batista, da
Prefeitura e da Agência de Promoção de Exportações do Brasil (Apex-Brasil).
A Aîapé, que em
tupi quer dizer casco, superfície, lançou na Francal as
sandálias que não possuem absolutamente nada na parte de cima,
não têm tiras ou amarras. Para calçá-las basta colocar o pé e
sair caminhando uma vez que o adesivo existente no solado não
deixa a sandália soltar do pé. Promete ser a sensação do próximo
verão nas praias brasileiras e internacionais.
A invenção é do técnico em
química, Eugênio Ferrão, conhecido nacionalmente por ter
inventado uma fita adesiva que ao ser fixada ao botijão de gás
muda sua coloração de acordo com o nível do produto dentro do
recipiente. Ferrão foi vencedor da Feira de Inventos de Santa
Catarina em 2004, foi homenageado pela então ministra das Minas
e Energia, Dilma Roussef, recebeu correspondência do então
presidente do Senado, José Sarney, e agora negocia com o governo
federal a aplicação do produto em escala comercial.
Eugênio Ferrão diz que a idéia de produzir uma sandália sem
tiras partiu da necessidade de sua mulher Ângela. Moradores da
paradisíaca Itapema, praia próxima ao Balneário Camboriú, e
freqüentadores assíduos da praia, Ângela vivia incomodada com as
marcas que as tiras de suas sandálias deixavam no pé. Cobrou do
marido uma invenção.
“Pensei em um produto ecologicamente correto, que não agredisse
o meio ambiente, fosse confortável e seguro. Desenvolvi em
parceria um solado completamente natural, feito em borracha
natural (60%) e reciclada (40%). O adesivo à base de água foi
desenvolvido da seringueira e não possui contra-indicações”, diz
Ferrão.
Com o solado, Ângela, que é
artista plástica, passou a desenvolver uma coleção de adereços
que podem ser colocados nos pés. São pulseiras de tornozelo,
correntes que ficam presas nos dedos, botons, tatuagens. Além
disso, as estampas das sandálias seguem a tendência da moda, com
cores vibrantes, estampas orientais e indianas, flores e
animais.
A idéia de agregar valor ao produto fez com o empresário
procurasse uma comunidade indígena que vive em Itapema. Eles
passaram a confeccionar uma parte dos adereços. A sandália,
segundo ele, tem prazo médio de seis meses. Para usá-la é
preciso estar com a sola do pé limpa e seca para garantir
aderência total. Quando suja basta lavá-la com água e escovar
com detergente e deixar secar por 20 minutos. A aderência volta
por completo.
No estande da empresa na Francal, a Agência Sebrae de Notícias
conversou com James Trally, lojista no Suriname. Ele considerou
o produto fantástico e disse que tem certeza do sucesso nas
praias de seu país. Trally levou US$ 5.000 em sandálias.
A empresa tem capacidade de
produzir 10 mil pares/dia, já que Ferrão terceiriza toda a
produção. “Temos um fabricante de solado, o pessoal da
comunidade fazendo os adereços. Estamos há menos de um mês no
mercado e somos apenas cinco pessoas”.
O empresário comemora não só as vendas e o sucesso do produto
como também a quantidade de pessoas que querem representá-lo no
Brasil e no exterior. Segundo ele, seu site registrou mais de
500 cadastros de representantes nos últimos dias. Grandes
empresas também estão interessadas em licenciar a marca.
“Eu tive muito apoio do Sebrae no desenvolvimento do negócio. E
aprendi com o próprio Sebrae que um bom produto pode não ser um
bom negócio. Por isso, a gestão é fundamental. O Sebrae também
me ensinou a não ser nem otimista, nem pessimista, a ser 'possibilista'.
Por isso, estou estudando todas as possibilidades, inclusive a
de licenciar o produto”.
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