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Sandália sem tiras é sensação da Francal, em São Paulo

Com menos de um mês de existência, Aîapé comercializou na feira mais de 50 mil pares e US$ 120 mil

Beth Matias

São Paulo - Elas não têm tiras, não têm cheiro, não são as legítimas Havaianas, mas estão conquistando os importadores estrangeiros na Francal 2005, que terminou na sexta-feira (22), em

 

São Paulo. No estande do Pólo Calçadista de São João Batista (Santa Catarina), uma empresa recém-criada, a Aîapé, vendeu mais de 50 mil pares de sandálias e mais de US$ 120 mil nos quatro dias de feira para compradores do Paraguai, Suriname, Portugal e Kuait.

O Arranjo Produtivo Local de São João Batista possui atualmente 150 empresas e tem o apoio do Sebrae no Estado, do Sindicato das Indústrias de Calçados de São João Batista, da Prefeitura e da Agência de Promoção de Exportações do Brasil (Apex-Brasil).

A Aîapé, que em tupi quer dizer casco, superfície, lançou na Francal as sandálias que não possuem absolutamente nada na parte de cima, não têm tiras ou amarras. Para calçá-las basta colocar o pé e sair caminhando uma vez que o adesivo existente no solado não deixa a sandália soltar do pé. Promete ser a sensação do próximo verão nas praias brasileiras e internacionais.

A invenção é do técnico em química, Eugênio Ferrão, conhecido nacionalmente por ter inventado uma fita adesiva que ao ser fixada ao botijão de gás muda sua coloração de acordo com o nível do produto dentro do recipiente. Ferrão foi vencedor da Feira de Inventos de Santa Catarina em 2004, foi homenageado pela então ministra das Minas e Energia, Dilma Roussef, recebeu correspondência do então presidente do Senado, José Sarney, e agora negocia com o governo federal a aplicação do produto em escala comercial.

Eugênio Ferrão diz que a idéia de produzir uma sandália sem tiras partiu da necessidade de sua mulher Ângela. Moradores da paradisíaca Itapema, praia próxima ao Balneário Camboriú, e freqüentadores assíduos da praia, Ângela vivia incomodada com as marcas que as tiras de suas sandálias deixavam no pé. Cobrou do marido uma invenção.

“Pensei em um produto ecologicamente correto, que não agredisse o meio ambiente, fosse confortável e seguro. Desenvolvi em parceria um solado completamente natural, feito em borracha natural (60%) e reciclada (40%). O adesivo à base de água foi desenvolvido da seringueira e não possui contra-indicações”, diz Ferrão.


Com o solado, Ângela, que é artista plástica, passou a desenvolver uma coleção de adereços que podem ser colocados nos pés. São pulseiras de tornozelo, correntes que ficam presas nos dedos, botons, tatuagens. Além disso, as estampas das sandálias seguem a tendência da moda, com cores vibrantes, estampas orientais e indianas, flores e animais.

A idéia de agregar valor ao produto fez com o empresário procurasse uma comunidade indígena que vive em Itapema. Eles passaram a confeccionar uma parte dos adereços. A sandália, segundo ele, tem prazo médio de seis meses. Para usá-la é preciso estar com a sola do pé limpa e seca para garantir aderência total. Quando suja basta lavá-la com água e escovar com detergente e deixar secar por 20 minutos. A aderência volta por completo.

No estande da empresa na Francal, a Agência Sebrae de Notícias conversou com James Trally, lojista no Suriname. Ele considerou o produto fantástico e disse que tem certeza do sucesso nas praias de seu país. Trally levou US$ 5.000 em sandálias.

A empresa tem capacidade de produzir 10 mil pares/dia, já que Ferrão terceiriza toda a produção. “Temos um fabricante de solado, o pessoal da comunidade fazendo os adereços. Estamos há menos de um mês no mercado e somos apenas cinco pessoas”.

O empresário comemora não só as vendas e o sucesso do produto como também a quantidade de pessoas que querem representá-lo no Brasil e no exterior. Segundo ele, seu site registrou mais de 500 cadastros de representantes nos últimos dias. Grandes empresas também estão interessadas em licenciar a marca.

“Eu tive muito apoio do Sebrae no desenvolvimento do negócio. E aprendi com o próprio Sebrae que um bom produto pode não ser um bom negócio. Por isso, a gestão é fundamental. O Sebrae também me ensinou a não ser nem otimista, nem pessimista, a ser 'possibilista'. Por isso, estou estudando todas as possibilidades, inclusive a de licenciar o produto”.

 

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